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Governo resolveu imitar o Cobrador do Fraque

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O director-geral dos Impostos inspirou-se no método do Cobrador do Fraque e vai mandar uma batalhão de fiscais bater à porta dos contribuintes em falta. O pânico do Governo é compreensível, pois o abrandamento da economia cortou o crescimento das receitas fiscais, que no primeiro trimestre subiram apenas 2,8%, cerca de metade do que no mesmo período do ano passado (7%).

A queda generalizada dos lucros das grandes empresas, em particular dos bancos, começa a pôr em perigo a receita fiscal prevista para este ano, o que leva o Governo a não olhar a meios para recuperar impostos em atraso. Num documento divulgado esta semana, a Cotec calcula que a economia paralela valha 22% do PIB, percentagem apenas superada pelas inevitáveis Itália e Grécia.

Mas a solução saudável para a questão fiscal em Portugal não passa pelo porta-a-porta decretado para o mês de Agosto, que só apanhará pequenos delinquentes fiscais que nem sequer tiveram dinheiro para ir até ao Algarve. Não passa, tão-pouco, por obrigar os empregados de mesa a incluir na declaração do IRS as gorjetas, que serão taxadas a 10%. Passa por fazer emergir da clandestinidade a tal economia paralela, possível sobretudo aos "tubarões" dos negócios.

E o Governo sabe melhor que ninguém o que tem de fazer para travar a fuga ao fisco: diminuir a carga fiscal (que já está nos 36%), facilitar o pagamento de impostos (exterminando a burocracia) e acabar com a impunidade.

A segurança está a ganhar contornos de obsessão em todo o mundo. Se a preocupação é legítima na China, um alvo apetecível dos terroristas e outros criminosos em vésperas de Jogos Olímpicos, tal como já tinha sido, por razões semelhantes, na Suíça e na Áustria aquando do Europeu de futebol, começa a dar que pensar que receios levam Silvio Berlusconi a colocar três mil militares nas ruas de oito das grandes cidades italianas, para evitar assaltos e homicídios.

Contudo, lendo os jornais espanhóis e ingleses nos últimos dias, percebe-se a deriva securitária que se faz sentir em todos os países na Europa: só em Madrid foram mortas sete pessoas em 14 dias, a maioria com enorme violência. Aliás, a capital espanhola regista uma subida de 37% nos homicídios violentos no ano passado e neste ano. Em Inglaterra também não param de surgir casos de crimes graves, a maioria com uso de armas brancas.

Lisboa é ainda considerada como uma das cidades mais seguras da Europa por todos os roteiros turísticos, uma classificação válida para todo o País. Mas o facto de os donos de bares e restaurantes do Bairro Alto terem decidido pagar, do seu bolso, o reforço policial na zona, somado aos últimos acontecimentos na Quinta da Fonte e à constatação de que a Prosegur já é quinta maior empregadora do País, mostra uma mudança de atitude e de preocupações. Porque um dia também deixará de ser "só com os outros" e "lá entre eles".
 

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