A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, teceu esta sexta-feira duras críticas a Marinho Pinto durante o seu discurso no congresso da Ordem dos Advogados que decorre na Figueira da Foz.
"O sr. bastonário não hesita em introduzir no seu discurso o ataque pessoal como forma de endurecer o ataque ao ministério da Justiça e, na minha pessoa, ao Governo", atirou Paula Teixeira da Cruz, muito aplaudida pela plateia presente no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.
"Devo dizer a Vossa Excelência que a mentira e a ofensa não são o caminho para a resolução dos graves problemas que temos de enfrentar. A desconsideração, o ataque sustentado em factos pessoais, que aliás nem sequer são verdadeiros, não são toleráveis na luta política e institucional. Essa forma de agir é censurável e ofende os princípios éticos da nossa democracia", prosseguiu Paula Teixeira da Cruz
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Frisando que o Ministério da Justiça "tem sabido manter e criar mecanismos de diálogo, independentemente da diversidade de opiniões, com todas as instituições", Paula Teixeira da Cruz disse que "a única excepção" é "a do bastonário da Ordem dos Advogados que não evitou a introduzir no seu discurso o ataque pessoal como forma de endurecer o ataque ao Ministério da Justiça e, na minha pessoa, a todo o Governo."
A ministra, dirigindo-se a Marinho e Pinto, salientou o seu "direito de discordar" dela e "da política do Governo". Mas, sublinhou a necessidade de lhe dizer "com igual frontalidade, que a mentira e a ofensa não são o caminho para a resolução dos graves problemas que temos de enfrentar."
Disse ainda que "a desconsideração e o ataque sustentado em factos pessoais, aliás nem sequer verdadeiros, não são toleráveis na luta política e institucional e que essa forma de agir é censurável e ofende os princípios éticos da nossa democracia".
Marinho e Pinto tem feito fortes críticas à actuação do Ministério da Justiça por causa das dívidas aos advogados oficiosos.
No seu discurso, a ministra apresentou as principais linhas da reforma da política de justiça, nomeadamente as mudanças do novo mapa judiciário e do modelo de apoio judiciário.
Logo após a sua intervenção, a ministra abandonou o Congresso para se dirigir ao Parlamento, onde se está a discutir o orçamento de Estado.
Em resposta às críticas de que foi alvo, Marinho e Pinto fez uma breve introdução antes de iniciar o seu discurso, dizendo que é advogado há mais de 30 anos e que aprendeu a ouvir o que não gosta e não merece. "Aprendi a não responder a quente porque os actos falam melhor que as palavras". O bastonário lamentou que a ministra se tenha ausentado do Congresso e mais tarde, em declarações aos jornalistas, lembrou regras de boa educação: "Quando se é convidado devemo-nos portar bem na casa que nos convida".
O discurso de Marinho e Pinto foi sobretudo ocupado por violentas críticas aos magistrados judiciais e do Ministério Público, o que levou mesmo ao abandono da sala, em sinal de protesto, do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma.






