O procurador-geral da República diz que nunca mentiu sobre o seu despacho. E mandou Maria José Morgado abrir inquérito com prioridade e urgência para saber quem o divulgou aos jornais
Segundo o PGR, só cinco ou seis pessoas tiveram acesso ao seu despacho
O procurador-geral da República falou com Maria José Morgado e deu ordens à procuradora-geral adjunta para que o DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) de Lisboa abra um inquérito "com prioridade e urgência" para averiguar quem fez chegar aos jornais um dos despachos do próprio procurador-geral que arquivava uma das certidões vindas de Aveiro.
O PGR estava na Suíça, no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, e só voltou a Lisboa no fim da semana. E terá ficado estarrecido com a divulgação de um dos seus despachos em vários jornais. Na verdade, pelo menos o "Diário de Notícias" e o "Correio da Manhã" transcreviam vários trechos do despacho de Fernando Pinto Monteiro que arquivava as certidões enviadas pelo procurador João Marques Vidal para investigar um eventual atentado ao Estado de Direito que envolveria o primeiro-ministro, José Sócrates, e alguns dos seus próximos.
Pinto Monteiro, mesmo encontrando-se no estrangeiro, falou com a directora do DIAP de Lisboa e mandará hoje mesmo a ordem de "abertura de inquérito com prioridade e urgência" para determinar quem exactamente fez circular o seu despacho e o entregou aos jornalistas. O caso é especialmente grave porque só cinco ou seis pessoas tiveram acesso ao despacho. Pinto Monteiro recusa-se a entrar em detalhes sobre o inquérito e remete todas as explicações para o seu gabinete. O PGR tem agora de ler os jornais e voltar a ver os seus despachos de arquivamento das certidões de Aveiro.
Este inquérito é especialmente delicado. O i apurou que são efectivamente muito poucos os que tiveram acesso aos despachos do procurador-geral sobre as escutas que continham conversas do primeiro-ministro. "Só cinco ou seis pessoas", de acordo com Pinto Monteiro.
Aqui há (mais) despacho O PGR não deve ter gostado nada da interpretação que dois jornais de ontem fizeram de partes do conteúdo do seu despacho. O "Correio da Manhã" titulava "Arquivamentos desmentem PGR" e acusava Pinto Monteiro de ter mentido nas notas à comunicação social ao dizer que não podia revelar os seus despachos pois eles continham parte das transcrições das escutas ao primeiro-ministro, constantes das certidões e entretanto consideradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal da Justiça. Por seu lado, o "Diário de Notícias" acusava o PGR de ter mentido ao Parlamento por ter dito "que não podia divulgar os despachos de arquivamento do processo contra Sócrates por incluírem escutas com o primeiro- -ministro". Ora, os referidos jornais publicaram apenas uma parte e de um só dos despachos do PGR, o segundo, de Outubro passado. Pinto Monteiro garante: "Eu nunca disse à comunicação social ou ao Parlamento uma única coisa que não fosse verdadeira!"
O procurador-geral da República falou com Maria José Morgado e deu ordens à procuradora-geral adjunta para que o DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) de Lisboa abra um inquérito "com prioridade e urgência" para averiguar quem fez chegar aos jornais um dos despachos do próprio procurador-geral que arquivava uma das certidões vindas de Aveiro.
O PGR estava na Suíça, no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, e só voltou a Lisboa no fim da semana. E terá ficado estarrecido com a divulgação de um dos seus despachos em vários jornais. Na verdade, pelo menos o "Diário de Notícias" e o "Correio da Manhã" transcreviam vários trechos do despacho de Fernando Pinto Monteiro que arquivava as certidões enviadas pelo procurador João Marques Vidal para investigar um eventual atentado ao Estado de Direito que envolveria o primeiro-ministro, José Sócrates, e alguns dos seus próximos.
Pinto Monteiro, mesmo encontrando-se no estrangeiro, falou com a directora do DIAP de Lisboa e mandará hoje mesmo a ordem de "abertura de inquérito com prioridade e urgência" para determinar quem exactamente fez circular o seu despacho e o entregou aos jornalistas. O caso é especialmente grave porque só cinco ou seis pessoas tiveram acesso ao despacho. Pinto Monteiro recusa-se a entrar em detalhes sobre o inquérito e remete todas as explicações para o seu gabinete. O PGR tem agora de ler os jornais e voltar a ver os seus despachos de arquivamento das certidões de Aveiro.
Este inquérito é especialmente delicado. O i apurou que são efectivamente muito poucos os que tiveram acesso aos despachos do procurador-geral sobre as escutas que continham conversas do primeiro-ministro. "Só cinco ou seis pessoas", de acordo com Pinto Monteiro.
Aqui há (mais) despacho O PGR não deve ter gostado nada da interpretação que dois jornais de ontem fizeram de partes do conteúdo do seu despacho. O "Correio da Manhã" titulava "Arquivamentos desmentem PGR" e acusava Pinto Monteiro de ter mentido nas notas à comunicação social ao dizer que não podia revelar os seus despachos pois eles continham parte das transcrições das escutas ao primeiro-ministro, constantes das certidões e entretanto consideradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal da Justiça. Por seu lado, o "Diário de Notícias" acusava o PGR de ter mentido ao Parlamento por ter dito "que não podia divulgar os despachos de arquivamento do processo contra Sócrates por incluírem escutas com o primeiro- -ministro". Ora, os referidos jornais publicaram apenas uma parte e de um só dos despachos do PGR, o segundo, de Outubro passado. Pinto Monteiro garante: "Eu nunca disse à comunicação social ou ao Parlamento uma única coisa que não fosse verdadeira!"






