A Justiça portuguesa foi ontem a referendo. E perdeu por larga maioria, ostensivamente derrotada pela «facção» que considera que as decisões tomadas pelos tribunais nada têm a ver com a vida real das pessoas, nomeadamente quando estas se decidem candidatar a cargos públicos.Esta derrota é tanto mais espectacular, quanto as decisões resultavam de indicações seguras de que o agora candidato tinha anteriormente exercido o mesmo cargo de forma desonesta e de modo a prejudicar directamente os habitantes daquele conselho.
Chegados aqui, das duas, uma: ou os portugueses não acreditam nos juízes, considerando que decidem mal e sem provas; ou se estão nas tintas para que alguém roube, desde que apresente obra feita, considerando que essa apropriação indevida é apenas um merecido complemento de ordenado.
Qualquer uma das conclusões é dramática e atesta que o País precisa de um abanão e de tomadas de posição.
Qualquer uma das conclusões é dramática e atesta que o País precisa de um abanão e de tomadas de posição.
Os juízes e os restantes «operadores de justiça», para além da auto-reflexão, deviam protestar em bloco contra o facto de, na prática, andarem a «trabalhar para o boneco».
Quanto aos eleitores destes candidatos, espera-se que tenham a verticalidade de nunca mais abrirem a boca contra o estado da Justiça em Portugal. Sobre os eleitos, o que dizer?
Que se sintam inocentes, é um direito. Injustiçados, também. Mas que não percebam, ou não se importem, que o seu comportamento ponha em causa um dos pilares da democracia, é preocupante.






