Para Vítor Bento, a saída de Portugal do euro implicaria uma queda do valor dos salários e das poupanças entre 30% a 50%.
O presidente da SIBS e conselheiro de Estado, Vítor Bento, afirmou hoje numa entrevista ao jornal Público que a saída de Portugal da moeda única é um cenário que, tal como outros, deve ser equacionado: "Não devemos recusar discutir esse assunto, como se fosse um dogma religioso. Devemos ter disponibilidade para discutir todos os cenários. Mas quem defende essa via deve pôr em cima da mesa essas implicações."
Vítor Bento acrescentou também que, a acontecer a saída de Portugal do euro, iria registar-se "uma queda do valor dos salários e das poupanças entre 30% e 50%", além da dificuldade na marcação de preços, com a ausência de notas e moedas para transaccionar.
"Contrariamente ao que já se disse, não será possível carimbar notas de euros. A situação será caótica", disse o conselheiro de Estado.
Na entrevista, o economista disse também que "os custos laborais terão de se ajustar em baixa". "A descida da TSU permitiria fazer isso sem mexer nos salários. O meu receio é que , se nada se fizer proactivamente, o ajustamento da competitividade acabe feito à bruta, através de uma grande recessão para que o mercado ajuste automaticamente", sustentou Vítor Bento.






