Era uma vez um país que tinha um glorioso passado à sua frente. Esse país chamava-se Portugal e estava a perder a pouca independência que ainda lhe restava por causa de uns senhores muito incompetentes e muito irresponsáveis que não o sabiam governar.
O primeiro-ministro portava-se como aqueles chefes de família à beira da bancarrota que gastam mais do que ganham e pedem todos os meses novos créditos bancários para pagar as dívidas acumuladas.
Apesar do buraco em que enfiou o país, com o risco da dívida a ultrapassar todos os limites, o desemprego e os impostos a tornarem os portugueses cada vez mais pobres, o chefe do governo, que tinha o nome do filósofo grego Sócrates, mantinha-se no poder – e até conseguiu arranjar um par para dançar o tango. Mas foi baile de pouca dura.
Um certo dia, o dançarino Passos Coelho fartou-se de ser pisado nos pés. Percebeu que, tal como todos os outros portugueses, também era enganado: Sócrates prometia que iria ser mais poupado, mas continuava a endividar-se e a gastar sempre mais do que produzia. Claro que esta história sem moral não poderia acabar bem.
Não acabou. Os credores começaram a fechar a torneira do dinheiro. Passos recusou--se a dançar novo tango. O primeiro-ministro, habituado a ser obedecido por todos, ameaçava agora fugir às responsabilidades. A União Europeia, que recebera Portugal em tempos que já lá vão, enviou emissários que ordenaram que deixasse de ser Sócrates a fazer as contas.
Era uma vez o país com orelhas de burro. P.S. Este conto para adultos foi inspirado no vídeo de boas-vindas da ministra da Educação no início do ano lectivo.
SEMANA SIM: PAÍS EM REDE
O movimento Pais em Rede (paisemrede.net) é a prova de que existe sociedade civil em Portugal. Constituído por uma rede de famílias – e respectivos amigos –, tem como objectivo promover "a realização e inclusão das pessoas portadoras de deficiência". Foi recebido, esta sexta-feira, em Belém por Maria Cavaco Silva.
SEMANA NÃO: JOSÉ SÓCRATES
Não lembra ao diabo ir ao coração dos mercados internacionais ameaçar que "não tem condições para governar" se não for aprovado o Orçamento do Estado. Mas foi o que José Sócrates fez, esta quinta-feira, em Nova Iorque. Só faltava que o tivesse dito num palanque em plena Wall Street perante os investidores.






