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Ministro prefere privatizar a emitir dívida

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Operações de privatização «tendem a ser mais bem sucedidas». Vítor Gaspar aponta este caminho «desejável» para reduzir o stock da dívida e mercados voltarem a acreditar em nós.

Os elevados níveis de endividamento da economia portuguesa suplicam por uma diversificação das formas de financiamento. Para o ministro das Finanças, seria mesmo «desejável substituir os instrumentos de dívida por formas mais estáveis de envolvimento de investidores internacionais, como o investimento directo estrangeiro e participações no capital». Ou seja, a chave está nas privatizações.

«Num contexto de dificuldades de financiamento, as operações de privatização tendem a ser mais bem sucedidas que as operações de emissão de dívida pública, ao mesmo tempo que permitem a redução do stock dessa dívida», lê-se no documento de estratégia orçamental apresentado esta quarta-feira aos jornalistas por Vítor Gaspar. 

O ministro explicou depois que, no âmbito do financiamento da economia, o processo de privatizações «tem um papel muito importante, porque pela primeira vez se considera a possibilidade de abrir ao mercado do controlo das sociedades algumas empresas cruciais no tecido empresarial português».

Vítor Gaspar quis sublinhar que «esta abordagem não envolve nenhuma discriminação a favor dos investidores estrangeiros, envolve sim o desaparecimento de obstáculos que no passado tornaram esse envolvimento inviável». 

O calendário definido no programa do Governo em matéria de privatizações a realizar até ao final deste ano ¿ designadamente alienar as participações do Estado na EDP, REN e Galp ¿ é para cumprir.


«Vão ver que Portugal é uma boa oportunidade de negócio»

O caminho das privatizações pode ser assim o mais acertado, na óptica de Vítor Gaspar, para reduzir a dívida e para que os investidores a confiar em Portugal. 

O país conseguirá regressar aos mercados findo o programa de assistência financeira, essa «trajectória é credível, na condição de os objectivos do programa serem cumpridos». 

O ministro sublinhou que «a preocupação dos credores internacionais no caso português parece estar fundamentalmente relacionada com sustentabilidade das finanças píblicas, do nosso endividamento externo e das perspectivas de crescimento da economia portuguesa». 

Se as metas forem cumpridas, e elas passam também pelas privatizações, «será inteiramente racional que crescentemente [os investidores] considerem Portugal como boa oportunidade de negócio, contribuindo dessa maneria para gradual melhoria das condições de acesso aos mercados e normalização das condições de financiamento da República». 


Euro-obrigações: sim ou não?

A posição do Governo em matéria de euro-obrigações, isto é, emissão de dívida europeia «é mais geral». 

«Somos favoráveis à flexibilização do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e eu, pessoalmente, vejo uma evolução nessa direcção», disse o ministro.

 

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