Os preços dos passes e bilhetes dos transportes públicos aumentam hoje, em média, 15 por cento, sob um forte coro de protestos das comissões de utentes. Na ponte 25 de Abril, entre Lisboa e Almada, cumpre-se o fim das tradicionais isenções de Agosto. Os aumentos deverão levar os clientes a engrossar ainda mais o valor da cobrança duvidosa às empresas do sector, até porque, em alguns casos, a subida da tarifa atinge os 25 por cento.
"Disso não há dúvidas, a fraude vai aumentar", assume ao CM Vítor Pereira, dirigente da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), sublinhando que "vai haver muita gente que vai tentar andar à borla nos transportes públicos". "A dificuldade das pessoas em conseguirem pagar os passes vai aumentar significativamente e se já havia pessoas a optar entre pagar os transportes ou comprar os medicamentos ou a comida, a situação vai piorar", conclui.
Os números das diferentes transportadoras ilustram isso mesmo. O relatório e contas da CP, relativo a 2010, mostra que as dívidas de clientes de cobrança duvidosa totalizam os 36,7 milhões de euros. Nestas perdas está incluída a dívida do Ministério da Defesa pelo transporte dos militares, que ascende a 33,7 milhões.
Na Soflusa e Transtejo, as empresas que asseguram o transporte fluvial no Tejo, os calotes de clientes chegavam, no final de 2010, aos 183 mil euros, aos quais se somam dívidas incobráveis de outros clientes no valor de quase um milhão de euros. No Metro de Lisboa, a fraude e as viagens gratuitas custaram, em 2009, 11,5 milhões, ainda que a cobrança duvidosa de utentes se situe nos 2755 euros, num total de 4,5 milhões de euros de dívidas em incumprimento. Na Carris, os clientes de cobrança duvidosa somam 2163 euros num total de 132 mil euros em imparidades.
POLÍCIA ESTÁ EM ALERTA E VAI ACOMPANHAR BUZINÃO
A Polícia de Segurança Pública (PSP) não montou "nenhum dispositivo especial", no entanto, perante o anunciado buzinão na ponte 25 de Abril, contra o pagamento de portagens em Agosto, "vai estar alerta".
"Vamos acompanhar a situação com elementos policiais no local, que serão reforçados se for necessário", explicou ontem ao CM o oficial de serviço no Comando Metropolitano de Lisboa.
Desde a extinção da Brigada de Trânsito da GNR que o policiamento do tráfego na ponte 25 de Abril passou para a responsabilidade da PSP.
DÍVIDA DO METRO TOTALIZA 12,3 MILHÕES DE EUROS
Até Junho, as dívidas do Metro de Lisboa a fornecedores com mais de 60 dias totalizava os 12,3 milhões de euros, segundado dados disponibilizados pela empresa no seu site.
A maior parte das dívidas dizem respeito a fornecedores de investimento – 11,6 milhões – e correspondem, na sua maioria, a empreitadas de obras públicas e à contratação de trabalhos especializados. Nos fornecedores correntes, a dívida por pagar há dois meses soma 764 mil euros.
NOVA ADMINISTRAÇÃO DA CP GANHA MAIS
Os cinco administradores da CP que tomaram posse em meados do ano passado têm um salário-base mais elevado do que a anterior gestão, mesmo depois dos cortes aplicados no âmbito do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) apresentado pelo anterior Governo.
Segundo o relatório e contas da empresa, a administração de José Benoliel ganha, em conjunto, 254 577 euros, já após a dedução dos cortes. Quando comparado com o valor dos vencimentos da administração liderada por Cardoso dos Reis – que saiu do cargo a 16 de Junho de 2010 – o acréscimo é de 81 777 euros.
Aliás, os números mostram que José Benoliel, que ocupava o cargo de vice-presidente e é actualmente o líder da nova administração, viu o seu salário-base praticamente duplicar. No anterior mandato, José Benoliel ganhava 33 599 euros, um valor que aumentou para os 61 868 euros, já com a aplicação do corte salarial. Na prática, os 25 mil euros de poupança obtidos na aplicação das reduções salariais impostas pelo anterior Governo não chegam para colmatar a subida da remuneração de toda a nova administração.
Além da remuneração-base, os gestores têm direito a, por exemplo, gastos com telefone, seguros de saúde e de vida e viatura. O CM tentou, sem sucesso, obter uma reacção da CP.
RENDAS VÃO SOFRER À CONTA DOS TRANSPORTES
O valor das rendas cobradas em 2012 também sofrerá com o agravamento do preço dos transportes públicos.
O valor que determina a actualização das rendas é publicado em Agosto, pelo INE, e resulta da variação da inflação quando excluídos os gastos com habitação. Ora, como os transportes são um dos factores que mais influencia a inflação, a actual subida terá impacto na subida dos preços ao consumidor e, como tal, na actualização.
Por:Diana Ramos / L.M.






