
O presidente do Millenium BCP, Carlos Santos Ferreira, apelou hoje a que o Estado pague o que deve às autarquias, regiões e empresas públicas. Santos Ferreira argumentou que deste modo a banca poderia dar mais crédito à economia. A exposição da banca à dívida do Estado é de 50 mil milhões euros.
“Se o Estado pagasse às empresas públicas, autarquias e regiões, e estas pagassem o que devem aos bancos, ficava à disposição uma quantidade de crédito muito grande para financiar a economia”, disse , à entrada do IX Fórum da Banca e Mercado de Capitais, em Lisboa.
Antes, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, já se tinha mostrado também preocupado com o financiamento da economia portuguesa. Numa intervenção em que em que enfatizou a importância de um “processo gradual e ordenado desalavancagem” do sector bancário, o governador reiterou que os bancos devem “privilegiar estratégias de reforço da sua base de capital, de venda de créditos e activos não estratégicos”, reforçando ainda as fontes de financiamento estável, sobretudo os depósitos de clientes.
Ou a banca “procura a desalavancagem através de alienação de activos” para ter “margem de manobra para continuar a financiar a economia, ou é o próprio financiamento da economia que fica em causa", concluiu o governador do banco central.
O presidente do BES, Ricardo Salgado, considerou por seu lado que o resultado a cimeira da zona euro, na quinta-feira, “avanço significativo em termos de coordenação europeia”.
Questionado pelos jornalistas sobre porque é que isso não se reflectia nas notas Moody’s (que hoje baixou de novo o rating da Grécia), respondeu “Eu não sei. Terão de perguntar à Moody’s.”
Ricardo Salgado disse também que a “a exposição do BES à dívida do Estado é a mais baixa do sistema bancário português”, mas não disse qual o respectivo valor, remetendo essa informação para as contas do banco e os testes de stress.






