O segundo dia da visita de Cavaco Silva a Angola voltou a ter como tema as dívidas daquele país às empresas portuguesas. Porque os empresários que o acompanhavam decidiram falar sobre a matéria. E o Presidente da República também não deixou de o lembrar, embora de forma subtil.Jorge Coelho, administrador da empresa de construção civil Mota-Engil, foi um dos que falaram, para confirmar um "entendimento" sobre o modelo de pagamento das dívidas. Mas o antigo ministro das Obras Públicas de António Guterres não especificou os moldes do contrato. "Se nós o assinámos, é porque estamos de acordo com ele", disse, recordando que a empresa "nunca fez qualquer referência pública" sobre as dívidas de Angola nos 64 anos em que está no país.
Os sinais eram cifrados, mas não deixaram de surgir. Durante a inauguração de uma fábrica de tijolos da empresa, que teve direito à presença dos dois chefes de Estado, Coelho desaconselhou as empresas portuguesas com dificuldades a escolher Angola como saída. Explicou porquê: "É preciso ter músculo financeiro, paciência e escolher os parceiros certos."
Por seu turno, o presidente da Associação Industrial Portuguesa, Rocha de Matos, propôs o petróleo como solução: "Se tivermos uma linha de crédito local que apoie as nossas pequenas e médias empresas, elas têm melhores condições para assegurar o fluxo do comércio externo e o crescimento desta região." Rocha de Matos explicou que essa linha seria assegurada por um banco em Angola, que faria o pagamento imediato às PME portuguesas e que negociaria com o Governo compromissos de entrega de petróleo. "É o que fazem a China e outros países", assegurou.
Mesmo quando se referia às oportunidades de negócio em Angola e países da África Austral, Cavaco não deixou de reconhecer o problema dos atrasos nos pagamentos. "A crise económica e financeira a todos afectou, incluindo Portugal e Angola", disse. Para acrescentar que "nenhuma crise é permanente e há que olhar com redobrada atenção para um leque alargado de países, mercados e soluções de negócio. Angola faz claramente parte desse rol", afirmou. com Lusa






