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Dívidas arrastam restaurante japonês Aya para a insolvência

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Ninguém sabe muito bem como, nem porquê. Mas a verdade é que, no espaço de um mês, o Aya, um ícone da cozinha japonesa em Portugal, fechou dois restaurantes, foi alvo de um arresto de bens e pediu a insolvência, junto do Tribunal do Comércio de Lisboa. A morte precoce do seu criador, o chef Takashi Yoshitake, e as dívidas acumuladas com a expansão do negócio parecem ser o denominador comum de mais um caso que reflecte a crise do sector.

No espaço que o Aya ocupava, desde 2003, no centro da capital, restam agora folhas de papel que cobrem, de alto a baixo, o vidro exterior do restaurante. Não deixam perceber o que sobrou do arresto de bens movido na passada sexta-feira, por um dos fornecedores da empresa, que reclama dívidas de praticamente 300 mil euros. Pelo que se conta por ali, levaram praticamente tudo: mesas, cadeiras e até cinzeiros.

Esta terá sido a segunda fase de um processo que se precipitou, apanhando clientes e trabalhadores de surpresa. Já há um mês, o Aya de Carnaxide, um restaurante inaugurado há cerca de três anos, tinha fechado. Terá sido, aliás, este projecto que fez tremer as contas da empresa. O investimento financeiro que implicou demorava a ter retorno, acusando falta de clientes e custos superiores às receitas.

Foi a empresa contratada para remodelar e equipar este espaço, a Engitagus, que moveu o arresto de bens que acabou por ditar o fecho do segundo restaurante, nas galerias comerciais Twin Towers, em Campolide. O PÚBLICO tentou contactar a empresa, mas sem sucesso. No entanto, esta interpôs uma acção de execução contra o Aya, no início de Novembro, por causa de uma dívida de 289 mil euros, que estava a ser negociada entre as partes.

Este não é, porém, a único pagamento em atraso por parte da empresa fundada, em 1992, por Takashi Yoshitake. Há pelo menos quatro credores da banca: Montepio Geral, Banif, Finibanco e ainda BPI. No conjunto, estas instituições financeiras moveram acções de execução num valor superior a 76 mil euros.

Face ao acumular de dívidas, à pressão dos credores e ao fecho de dois restaurantes, o Aya viu-se obrigado a apresentar-se à insolvência. Na segunda-feira, entrou no Tribunal do Comércio um pedido de falência judicial, requerido pela própria empresa. Este processo tanto poderá resultar no encerramento ou na recuperação do negócio, caso se chegue à conclusão de que ainda existe uma margem de viabilização financeira.


Sem dinheiro e sem mestre

Apesar da sucessão de episódios que arrastaram o Aya para a insolvência, as contas da empresa não reflectem a instabilidade actual. Um relatório a que o PÚBLICO teve acesso mostra que, em 2009, as vendas subiram, ainda que marginalmente, alcançando perto de 1,6 milhões de euros. E, nesse ano, houve um lucro de 13.600 euros - mais três mil euros do que em 2008. Até mesmo o passivo diminuiu, assim como os custos com pessoal, que passaram de 400 para perto de 300 mil euros.

Mas, no terreno, a realidade é outra. Ficou apenas aberto um terceiro restaurante mais pequeno, o Bistrôt, também localizado nas Twin Towers. Já terão sido dispensados perto de 25 trabalhadores e alguns dos que ficaram têm os salários em atraso. O PÚBLICO tentou contactar a actual dona do Aya, Megumi Yoshitake (esposa do chef que fundou a cadeia), mas tal não foi possível.

A morte precoce do mestre do Aya é apontada como uma das razões para as dificuldades que o negócio atravessa. Takashi Yoshitake, que abriu o primeiro restaurante em Portugal num primeiro andar de um prédio em Lisboa, morreu repentinamente em 2009, aos 56 anos. Espera-se, agora, que a sua "escola" seja continuada pelos discípulos que deixou.

 

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