A Caixa Geral de Depósitos assumiu o papel de cobrador de fraque das assembleias gerais das empresas onde participa.
Enviada pelo Estado, a Caixa não faz cobranças difíceis, mas, tem uma missão ingrata e até ciclópica: convencer os accionistas da PT, da Zon ou da EDP a reduzirem 5% do salário fixo dos gestores que integram as administrações e suspender provisoriamente os prémios. Como seria de esperar, os accionistas têm respondido à pretensão com uma atitude que oscila entre o manguito e a indiferença. Os accionistas são iguais em todas as partes do mundo: querem, acima de tudo, resultados e uma equipa de gestão motivada para atingi-los. A moralização das remunerações é uma linguagem política de difícil tradução para o dialecto empresarial. Sobretudo, em empresas em que os resultados não são problema. Os gestores da Caixa sabem-no mas, em tempo de crise, cabe-lhes vestir o fraque.






