Os juros que os contribuintes pagam pela dívida pública são um "ministério oculto", comentava ontem uma jornalista do CM. É uma imagem feliz para uma realidade aterradora: em cada hora de 2012, os juros vão custar ao Orçamento do Estado quase um milhão de euros.
À medida que os encargos da dívida aumentam e a actividade económica encolhe, o País fica esmagado, gerando como principais vítimas um exército de desempregados que deve atingir na realidade perto de um milhão de pessoas, muito mais que as 700 mil das estimativas oficiais. Mas a questão que se coloca é se o orçamento, em vez de ‘aperto de cinto’, deveria ser expansivo para animar a economia. A verdade é que Vítor Gaspar nem sequer tinha opção. O resgate obriga ao corte nas despesas e aumento de receitas. E mesmo sem a troika, um orçamento em contraciclo só aceleraria o caminho para a bancarrota final. Há dez anos Guterres fugiu do pântano. Há uma década que a crise é o nó górdio que amarra Portugal. Mas a dívida mais que duplicou nesse período, enquanto a economia estagnou. É a soma destes erros que estamos a pagar. O drama das dívidas soberanas só antecipou a ruína. A direcção rumo ao abismo já tinha sido traçada pelos governantes.






