Os hospitais públicos e os centros de saúde estão a entregar a cobrança das dívidas dos turistas estrangeiros assistidos em Portugal a uma empresa privada. A medida, ao que o CM apurou, agrada ao Ministério da Saúde, que tem autorizado os contratos. Segundo Francisco Lemos, da Gestitursa, a empresa que assegura esse serviço, estão em causa "muitos milhares de euros" que as unidades de saúde não conseguem cobrar.
Uma vez contratada, a Gestitursa coloca no hospital ou no centro de saúde um funcionário com funções administrativas que domina vários idiomas. O funcionário em causa faz o registo de cada doente estrangeiro que ali chega e acciona o respectivo seguro de viagem. A empresa paga ao hospital que a contratou o valor exacto dos tratamentos de cada turista assistido, em 60 a 90 dias. É na factura que apresenta à seguradora dos doentes que a empresa vai buscar o seu lucro, cobrando um valor acima. "Temos uma tabela própria para cada acto médico", referiu Francisco Lemos, sem especificar preços, referindo apenas que "varia".
As estatísticas não são exactas, porque, segundo o responsável da Gestitursa, os hospitais não tinham registos fiéis do número de turistas assistidos, mas desde que operam em Portugal (Maio de 2011) foi possível apurar alguns dados.
Só o Hospital de São João, no Porto, recebeu em 2011 cerca de 15 mil turistas e o de Faro terá ultrapassado os 17 mil.
A Gestitursa tem, neste momento, contrato com os hospitais Pedro Hispano, Matosinhos; São João, no Porto; bem como com a unidade de saúde do Funchal, Madeira, e os centros de saúde de todo o arquipélago. Em curso estão contratos com os hospitais de Santa Maria, em Lisboa, e de Faro.







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