Um em cada três irlandeses encontra-se em risco de perder a casa.
A vinte minutos do centro de Dublin, em Blanchardstown, fica a sede do Money Advice & Budgeting Service. Mais conhecido por MABS, trata-se de um serviço grátis e confidencial que ajuda os irlandeses a enfrentarem dívidas e créditos malparados. Na sala de reuniões, Michael Culloty, responsável pelo gabinete de comunicação, deita contas: "Só no primeiro ano da crise, a procura aumentou 35%. E, este ano, esperamos mais de 20 mil novos pedidos". À porta do MABS batem pessoas afogadas em dívidas: "Ultimamente, uma em cada três encontra-se em risco de perder a casa. Muitas não têm dinheiro para pagar a luz e a água". Depois de analisar a situação, o MABS contacta os credores. "Na Irlanda, não se viu gente a perder a casa como nos Estados Unidos porque os bancos não têm a quem vender. Por outro lado, há um código de conduta que demora o processo de despejo", explica o responsável.
O MABS existe desde 2001, mas foi a crise que lhe trouxe protagonismo. De um momento para o outro, deixou de atender apenas pessoas de escassos recursos: "Começámos a receber gente que ficou desempregada e perdeu tudo. É difícil passar de rico a pobre..." A crise económica estende passadeira a outras crises: "Desfazem-se famílias, aumentam as depressões". Ainda assim, a esperança de Michael não vai à falência: "A Europa começa a reconhecer que a crise não é um problema da periferia, mas de toda a zona euro. Quando ultrapassarmos esta fase, teremos aprendido a viver de forma mais realista. O crédito não pode cair do céu". O MABS funciona através de uma linha telefónica, mas tem também 60 gabinetes espalhados pelo país: "Antigamente, a sede era nas traseiras de um prédio. Agora, estamos em frente a um centro comercial". A Irlanda perdeu a vergonha de pedir ajuda.






